“O caminho dos paradoxos é o caminho da verdade.” Oscar Wilde
Depois de duas maravilhosas e desafiadoras semanas na estrada, Eu e o Dan estávamos ansiosos para chegar em Zanzibar. A idéia de passar o próximo mês nos voluntariando para um projeto interessante no cenário paradisíaco da famosa “spice island” nos parecia uma excelente oportunidade. Entre altos e baixos, o que era para ser um mês se tornou quatro, intensos, meses.
Tanga
Após pedalarmos durante seis horas, subindo e descendo montanhas, sentir a brisa e ver a imensidão azul do mar parecia uma miragem.Uma vez na cidade de destino fomos direto para o hotel “Inn By the Sea”, mais uma indicação do nosso querido Kenny G. Um simples e barato "bed & breakfast" em frente ao mar era mais do que desejávamos.
Em Tanga conhecemos o simpático e prestativo "Pequeno". Ele nos indicou um amigo em Pangani (cidade a 50 quilômetros ao sul de Tanga) que tinha um barco partindo para Zanzibar na manhã seguinte. Marcamos então nossa “Odisséia” para o paraíso.
Como não poderia deixar de ser, a esta altura já estávamos famintos. Uma rápida pesquisada no Lonely Planet nos levou para um bar/restaurante chamado Patwas Restaurant - no estilo de boteco carioca que me lembrou o Bar do Mineiro em Santa Teresa - com uma comida caseira deliciosa.
Dormimos nos deliciando com o barulho das pequenas ondas que estouravam nas pedras do muro do hotel. Estava com saudade da musicalidade do mar.
O barco – A Odisséia
Se fôssemos pedalando até Pangani chegaríamos atrasados e, provavelmente, perderíamos o horário do barco. Resolvemos, então, pegar um ônibus, começava então a nossa odisséia.
Pegar um ônibus em uma cidade pequena na África não é tão simples como você pode imaginar. Os ônibus são velhos, lotados e o bagageiro não cabe nem mais um alfinete. Colocar duas bicicletas sem danificá-las dentro dos tais bagageiros parecia uma missão impossível.
Enquanto eu cuidava das nossas malas e dizia um milhão de “nãos” para os vendedores ambulantes fascinados pela presença de um “muzungo” na estação, o Dan se encarregava das bicicletas. Com sucesso conseguimos vencer a primeira fase da viagem. A estrada de terra esburacada não tirou o nosso humor – mal sabíamos o que nos esperava.
Em Pangani, encontramos o “Rasta man”, amigo do “Pequeno”. Ao vermos o barco, entendemos que, realmente, iríamos cruzar até Zanzibar no estilo “local”. O que não sabíamos era que iríamos enfrentar cinco horas em mar aberto e agitado dentro de um barco que, normalmente caberia vinte pessoas, superlotado com sessenta pessoas vomitando (em sacos plásticos) e dormindo nos nossos pés.
Para tornar a viagem um pouco mais agradável começou a chover e a lona que cobria o barco tinha um furo exatamente em cima da minha cabeça. Todas as vezes que as pessoas tentavam tirar a água que se acumulava no meio da lona quem levava um banho? Garota sortuda!
Depois de alguns banhos e algumas gargalhadas, os nossos companheiros de viagem decidiram tentar resolver o problema para que eu ficasse mais confortável, ou menos desconfortável. Para tal tive que levantar do meu esmagado lugar e como resultado perdi o lugar. Resumindo: tive que viajar por mais ou menos quatro horas em pé, me equilibrando no balanço agitado do mar.
Tentamos fazer a travessia da forma mais barata que encontramos. Queríamos viver uma experiência autêntica. A verdade é que todos que estavam naquele barco não estariam ali se tivessem outra opção. Nós tínhamos a opção, aquela era uma escolha e não uma necessidade. Esses momentos explicita o que a desigualdade social faz ao ser-humano. Aquela travessia foi simplesmente desumana e aquelas cinquenta e oito pessoas, simplesmente, não têm opção.
Pensei nos navios, e tripulantes, que exploraram os oceanos nos séculos XV e XVI. Quantas pessoas não morreram nessas travessias? Quantos navios não se perderam na imensidão do mar? Pensei nas pessoas que por ignorância ou desespero atravessam os mares, em condições similares ou piores, em busca de uma vida melhor. É difícil escrever isso, mas preciso dizer que pensei nos navios negreiros e suas barbáries. A imagem era terrível.
Stone Town
O tal barco não nos levou até Stone Town, no porto principal. Chegamos em Mkokotoni, um porto ao norte da ilha onde, aparentemente, é por onde chega produtos ilegais e ilícitos. Estávamos, finalmente, na famosa “spice island”.
Teríamos que pedalar ao menos uma hora até Stone Town. Eu, realmente, não tinha energia alguma. Estava física e mentalmente exausta. Colocamos nossas bicicletas em um “dalla-dalla” - ônibus local de Zanzibar – e seguimos viagem.
Uma vez em Stone Town conhecemos o que seria a nossa casa pelos próximos meses. Uma casa de mercador tradicional com um charme único. Sorrimos aliviados. Teríamos a nossa própria “Swahili Sweet Home”.
Dias de férias
Dois dias depois estávamos na companhia da Kate, irmã do Dan, e do Guillaume, seu companheiro. No mesmo dia chegou o Tarek, amigo com o qual o Dan começou o projeto de capoeira na Síria – Bidna Capoeira.
A Kate e o Guillaume tinham marcado uns dias de férias conosco em Zanzi desde Londres. O Tarek tinha acabado um projeto na Palestina e, sem poder retornar à Síria (devido aos conflitos iniciados em 2011), veio descansar no que ele e o Dan chamaram de “Damascus com praia”.
A primeira semana nessa bela ilha de areias brancas e mar azul turquesa foi de férias, merecidas férias. Jantamos em restaurantes para turistas, bebemos vinho e passamos alguns dias em Matemwe, uma praia no Nordeste da ilha. Matemwe é tão lindo e paradisíaco que me senti a Brooke Shields em Lagoa Azul (pode rir, hahahahahaha).
Vivemos dias de sombra e água fresca. Sol e mar. Peixe fresco e cerveja gelada. Começar nosso período nessa ilha de cultura árabe misturada com a cultura africana, na companhia de amigos, foi maravilhoso.
A Kate o Guillaume voltaram para a realidade londrina e o Tarek ficou mais duas semanas conosco.
Stone Town Capoeira
Eu e o Dan começamos a trabalhar na Fahari e o Tarek começou a ensinar capoeira para um grupo de meninos que, além de super talentosos, são super queridos.
Como em muitos lugares turísticos no Brasil, os meninos do Stown Town Capoeira se dedicam mais à parte acrobática para, com shows, impressionarem os turistas e ganharem algum dinheiro.
Durante os treinos, normalmente, não tem música. Contudo, fomos presenteados, algumas vezes, com a presença do Samwel. Um dançarino estudante de música que toca percussão como ninguém. Samwel virou um amigo querido.
O Tarek tem planos de ajudá-los, através do Bidna, para que eles tenham um mestre e conheçam melhor a filosofia por trás do jogo. Insha'allah!
Com o Tarek comemos bem e ouvimos muito reggae. O Tarek é um fundamentalista do reggae. Se não for reggae não é música - “Alright Tarekinho :)”
Depois de duas semanas nos despedimos desse amigo querido cantando “positive vibrations yeah, positive” nas ruas de Stone Town enquanto ele entrava no taxi que o levaria ao aeroporto.
Sentimos saudade do Tarek e seu carisma. “See you soon, amigo”!
Fahari
Fahari é uma ong iniciada pela designer inglesa Julie Lawrence cinco anos atrás.
O objetivo do projeto é treinar e gerar renda para mulheres locais através da produção de bolsas e acessórios de qualidade. Os lucros gerados com as vendas, são reinvestidos para que outras mulheres possam receber treinamento e, consequentemente, um salário, o que as torna financeiramente independentes. Fahari é uma "social-enterprise".
O Dan estava comprometido a ajudar, prioritariamente, na parte administrativa e financeira, assim como atualizar o website e criar uma estratégia de comunicação para a “empresa”. Eu estava feliz com a idéia de produzir um vídeo para promover o trabalho e ajudar com as doações financeiras para a continuidade do projeto, que ainda não estava gerando lucros.
Enquanto o Dan passava horas criando um sistema financeiro fácil de usar e compreender, eu comecei as filmagens.
Em teoria a Fahari é um projeto maravilhoso e com um potencial incrível. Contudo, a Julie estava sofrendo bastante e esse fato estava sendo bastante prejudicial para o projeto. Ela estava seriamente deprimida e se sentia uma vítima do mundo, o que foi bastante cansativo para nós mas não nos tirou o entusiasmo.
Depois de dois meses de altos e baixos recebemos uma ligação da Julie no meio da noite dizendo que ela estava se demitindo da Fahari e que aqueles tinham sido os anos mais difíceis e ingratos de sua vida. Sabíamos que ela estava prestes a ter um “breakdown” e aquele ligação não foi uma grande surpresa.
O Dan tentou pensar em um plano B, trabalhar com o “board” - grupo de pessoas responsáveis pela integridade e coerência do trabalho de uma ong - e treinar os funcionários para trabalharem com a ausência da Julie por alguns meses. Dessa forma ela poderia se recuperar das dificuldades dos últimos anos e a Fahari poderia sobreviver as turbulências.
Trabalhar com as finanças de uma ong é uma faca de dois gumes. O Dan precisava saber da real situação financeira do projeto para conseguir implementar o sistema solicitado pela Julie. Era necessário clarificar algumas questões importantes, principalmente com relação a transparência financeira da organização, quesito exigido pela lei.
A Julie se sentiu oprimida pois não tinha um conhecimento profundo com relação às questões financeiras da Fahari. Parte por ser totalmente emocional e nada racional, e como consequência a parte financeira e administrativa do projeto estar uma bagunça. O fato crucial foi a falta de justificativa, na nossa opinião, para um salário que a organização não pode manter (apesar de não ser um salário alto para os padrões ocidentais), principalmente quando alguns dos funcionários, que deveriam ser os reais beneficiados, recebiam menos que o salário mínimo.
Com a amizade e o reconhecimento que sentíamos pela Julie, o Dan precisava, com a juda dela, é claro, tentar encontrar a melhor solução para essa questão. Diante desse desconfortável fato a Julie pediu para que nos retirássemos do projeto, que a nossa ajuda não era mais necessária.
O grupo do "board" estava inativo fazia alguns meses (muitos deles sofreram o mesmo tratamento que nós) e não havia nada que pudéssemos fazer.
Foi um triste fim. Contudo, estávamos ambos exaustos e nos afastarmos do projeto era um mal necessário.
Infelizmente eu não consegui terminar o vídeo que comecei. O Dan, todavia, entregou o sistema financeiro que ele criou e incluiu alguns vídeos ensinando como utilizá-lo.
Não existe a menor dúvida com relação ao trabalho incrível realizado pela Julie. Ela ajudou muita gente com a organização e merece todo o reconhecimento por isso. É uma pena que ela tenha investido tanto, sua alma e dinheiro, que acabou se perdendo no caminho.
Eu espero sinceramente que a Fahari sobreviva a essa crise e prospere, principalmente pelos funcionários que foram sempre receptivos e amigáveis durante o tempo que trabalhamos juntos. Apesar dos pesares nos divertimos e aprendemos muito com eles.
Descanso Merecido
Fomos convidados pela Julia, um membro do “board” da Fahari, a ficarmos uns dias na sua casa em Matemwe. Depois de tudo o que passamos na Fahari, a Julia achou que merecíamos uns dias para descansarmos.
“Dua House” é uma casa linda e cheia de charme no meio dessa praia paradisíaca. Depois do nosso primeiro final de semana com ela, fomos à Stone Town para comprar comida e pegar nossa bicicletas. Pedalamos de volta e ficamos uma semana em lua-de-mel. Comendo peixe fresco, lendo, nadando no mar, fazendo longas caminhadas. Foi um descanso merecido.
Escola Montessori
Durante o último mês em Zanzibar, eu me voluntariei para uma escola Montessori. Kristen, um inglesa querida, fundou essa escola na varanda da sua casa em Bububu – 20 quilômetros ao norte de Stone Town - e ensinava para crianças locais. Um belo projeto.
Na escola conheci a Carmem, uma amiga que não posso deixar de mencionar. Carmem é uma professora espanhola queridíssima – Hola Carmencita!
Esse trabalho foi fundamental para a minha jornada pessoal. Durante esse mês me vi sorrindo o sorriso da realização profissional que não sorria fazia tempo, ou que talvez nunca havia sorrido.
Comecei a me perguntar o que realmente quero fazer profissionalmente. Comecei a entender que é mais importante se sentir útil e realizada que ter um bom salário. Entendi que aquela felicidade estava tentando me transmitir uma mensagem. Mas essa é uma questão que abordarei em mais detalhes depois...
As contradições do Paraíso
Apesar de toda a beleza e dos inquestionáveis momentos maravilhosos que vivemos, o paraíso tem suas contradições.
Zanzibar é uma ilha predominantemente muçulmana, na qual, as mulheres são expostas à um machismo bastante forte. A sociedade patriarcal não encoraja em nada a independência feminina. Os homens têm direito de casar quantas mulheres eles conseguem sustentar, e as mulheres que não aceitam tal situação acabam sendo discriminadas socialmente e se vêem sem opção uma vez que não existe nenhum direito que as proteja depois do divórcio.
O charme e a beleza estonteante de Zanzibar atrai vários “expats” - estrangeiros que moram fora do seu país - que, não conseguindo se identificar com a sua pátria, acham que encontraram o seu lugar no paraíso. Contudo, as dificuldades das diferenças culturais, a burocracia massacrante, a forte corrupção e a visível divisão racial e social fazem com que esse tal lugar no paraíso não seja tão atraente assim e como consequência a frustração pode acabar se tornando bastante forte – ao menos essa foi a minha impressão.
Para nós, eu e o Dan, foi um período de adaptação e descobertas.
Antes de deixarmos Londres, o nosso medo, mesmo que silencioso, era a estrada. Como seria para mim pedalar longas distâncias sob o sol africano? Como eu lidaria com as adversidades inerentes de uma viagem como essa? Como seria para o Dan lidar com as minhas dificuldades ou fraquezas na estrada?
Na primeira semana pedalando, descobrimos que era um medo inútil e que a estrada estava nos unindo ainda mais. Como já escrevi anteriormente, foi um belíssimo começo.
Contudo, o Better Life Cycle não é apenas sobre pedalar, a idéia do projeto é nos voluntariarmos no caminho para ajudar em boas causas.
O Dan já está pedalando e se voluntariando faziam três anos. Passou os últimos dezoito meses no continente africano. Ele já estava acostumado com o ritmo e a cultura – mesmo que diferente de um país para o outro. Ele estava familiarizado com pequenos projetos sociais e ongs africanas. Ele sabia como oferecer o seu conhecimento e, mais que isso, ele sabe ao menos de forma generalizada as necessidades que se repetem de projeto em projeto. Para ele era simples.
Para mim não era nem tão fácil nem tão simples assim. Eu tenho um background bastante específico. Toda a minha experiência profissional se resumia em pós-produção para grandes corporações. E esse fato me dava uma certa insegurança uma vez que a prioridade desses pequenos projetos, apesar de adorarem a idéia, não é ter um vídeo promocional.
Esse foi o primeiro desconforto dessa aventura, estava no projeto idealizado pelo Dan e precisava descobrir o “meu lugar” no Better Life Cycle. Precisava ter a minha independência de certa forma, caso contrário não seria saudável para mim.
Nesse momento foi quando enfrentamos o nosso real desafio. Uma viagem como essa, vinte e quatro horas por dia juntos, sete dias por semana, seria desafiador para qualquer casal e para nós não seria diferente. Tivemos os nossos momentos de dúvida, de frustração. Aprendemos muito sobre o outro mas, mais importante, aprendemos muito sobre nós mesmos.
Vemos esse período de forma bastante positiva e costumamos brincar que construímos nosso castelo no céu e precisamos, agora, construir os alicerces para mantê-lo lá. Uma viagem como esse cria laços profundos. Amadurecemos bastante, deixamos aquele lugar inocente da idealização para vivermos uma relação forte e profunda.
Deixou Saudade
Apesar de alguns desconfortos, esse período cercados por areias brancas e mar azul turquesa deixou saudade. Eu e o Dan acordávamos cedo diariamente, ao menos tentávamos, e caminhávamos até a praia para fazer um pouco de yoga e dar um mergulho de bom dia no mar. Uma vida privilegiada.
Conhecemos pessoas incríveis como a Caity e o Mahsin – uma professora canadense noiva de um musicista Zanzibari. Com eles vivemos uma das experiências mais encantadoras do nosso período em Zanzibar.
Durante o Ramadan eles nos convidaram para o Iftar – a quebra do jejum no fim do dia – com a sua família. Nesse dia nós vivemos o Ramadan por inteiro. Acordamos às quatro da manhã, tomamos um café da manhã caprichado e não comemos ou bebemos até encontrarmos nossos anfitriões. Beijar também não era permitido e assim respeitamos as regras.
Quando o sol se pôs, o Dan foi tomar um chá com o Mahsin, momento para os homens. Eu fui com a Caity para a casa da mãe do Mahsin, momento para as mulheres.
Quebramos o jejum com tâmaras e chá, no estilo tradicional. Depois comemos todos juntos. Em uma noite inesquecível ouvimos o Mahsin tocar enquanto sua mãe cantava. Obrigada queridos, jamais esquecerei a experiência autêntica que vocês nos proporcionaram!
Conhecemos também o Ali, um garçom do Lukkmanns - um restaurante cheio de charme que virou nossa segunda casa. Esse simpático Zanzibari viveu alguns anos em Moçambique e adorava falar português. Através dele conhecemos a Joana, uma portuguesa que largou o trabalho de oito anos na ONU para explorar o mundo. Ela se tornou uma amiga querida.
A Joana morava Jambiani, uma praia na costa Leste de Zanzibar, um verdadeiro paraíso, e trabalhava em uma pousada em troca de estadia e comida. Jambiani se tornou a minha praia favorita. Eu e o Dan fomos visitá-la algumas vezes, outras vezes eu fui sozinha – o que era maravilhoso para termos uns dias separados.
Em uma das visitas que a fiz conheci o Hassan. Um senhor de alma linda que tinha um restaurante dentro da sua casa enquanto tentava terminar de construir um espaço para servir seus clientes fiéis.
A comida do Hassan era uma delícia e as porções gigantescas, não era à toa que seu slogan era: “Restaurante da Vila: onde você come até pedir: Hassan não me mate com tanta comida”
Fiz a propaganda para o Dan e no final de semana seguinte estávamos de volta em Jambiani e nos hospedamos com a família do Hassan. Ele nos alugou o seu quarto e tivemos a oportunidade de viver uma experiência única, as maravilhas dos encontros inesperados.
Stone Town, ao contrário do que muitos dizem, é uma cidadezinha bem charmosa. À noite tem uma feirinha de comida chamada Forodhani Gardens, onde passeávamos no começo da noite e nos deliciávamos ou com a Zanzibari Pizza - que parece mais um crepe - ou com as deliciosas shawarmas, sempre acompanhados de... adivinha o quê? Caldo de cana gelado, huuuumm! Me transportei para a feirinha da General Glicério, só faltou o pastel e o chorinho ;)
Viramos fregueses do nosso querido Mwalem, que fazia a melhor zanzibari pizza e era só nos ver que gritava – Mr. Dani e Daniela! Queridíssimo!
O vendedor de shawarma ficou encantado com a nossa aventura e disse que um dia iria até Cape Town de bicicleta e que nos escreveria para contar como foi. "Go boy :)"
Entre os amigos queridos não posso deixar de mencionar também o Tobiko, um maasai que tinha uma lojinha perto da Fahari. O Jackson - não teve um dia que passamos em frente à sua agência de viagem, que ele não estivesse com o sorriso estampado no rosto pronto para dizer “Hi guys” e dar uma gargalhada contagiante. O famoso Striker, um comerciante que conhecemos também no Lukkmanns. Uma verdadeiro personagem com um sorriso parecido com o do Eddie Murphy. Striker ou Eddie virou um amigo querido. A querida Ana e Mr. Breakfast os garçons do Stone Town Café. E os amigos do Lazuli, que infelizmente não lembro os nomes.
Ao mencionar nossos amigos Zanzibaris e lembrar esses momentos tenho uma lágrima alegre nos olhos e um sorriso no rosto. Realmente deixaram saudade!
Tudo novo de novo
Estávamos prontos para um novo começo. Nos despedimos dos nossos amigos e pedalamos até Nungwe, extremo norte da ilha, para pegarmos o barco que nos levaria até Pangani. Dessa vez não iríamos no estilo “local” e pagamos 30 dólares a mais pela “mordomia”. Seguimos viagem com os golfinhos nos acompanhado por boa parte do caminho. Deixamos a Ilha em grande estilo para começarmos tudo novo de novo.









































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